quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

EDUCAÇÃO EM DOR - UTILIZAÇÃO DA NEUROCIÊNCIA MODERNA

Já não é novidade alguma que ensinar o que é a Dor aos pacientes é uma parte essencial do tratamento, tanto para quem sofre com dores crônicas, quanto para quem acabou de se machucar e não sabe se aquilo é um problema grave ou não.
Agora será que você já parou para pensar o quanto ensinar cada paciente diferente é complicado?
Quantas vezes você já foi a uma consulta, e ao invés de melhorar acabou saindo com medo da dor...Mais nervoso, mais assustado, sem entender o que o exame queria dizer, se o remédio funciona ou não no seu caso, enfim...
A experiência de ter dor física não parece algo simples de entender na prática, e nem sempre há uniformidade sobre o tema. Do mesmo modo, foram necessários muitos anos de pesquisas e discussões para se chegar ao conceito atual de dor que ainda gera debates. 

Quando o tema é “Educação em dor” parece não haver discordância quanto à sua importância e necessidade. A Educação em Dor com base em Neurociência (EBN), proveniente de termos como Pain Neuroscience Education ou Therapeutic Neuroscience Education, tem sido estudada como recurso terapêutico desde o final da década de 90, em diferentes populações com dor crônica, como a dor lombar crônica (Moseley, 2004), síndrome da fadiga crônica (Meeus et al., 2010) entre outras.

Os pacientes que apresentam conhecimentos distorcidos e menos atualizados sobre a  neurofisiologia da dor consideram a sua situação mais ameaçadora e com issoapresentam menor tolerância, pensamentos catastróficos, comportamentos e atitudes  mal-adaptativas e piores estratégias de enfrentamento. 

A combinação de todos esses fatores contribui para a manutenção do estado de dor crônica e maior limitação das atividades. 

A EBN é destinada a alterar o conhecimento dos pacientes sobre seu estado de dor e modificar seus conceitos sobre a dor (Moseley, 2004).


Luiz Sola

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

RELAÇÃO ENTRE INCAPACIDADE FÍSICA, CATASTROFIZAÇÃO E DOR


PENSAMENTOS CATASTRÓFICOS  PREJUDICA M A MELHORA DA DOR CRÔNICA INESPECÍCIFICA.
A eficácia da utilização da Educação em Dor nestes casos:

Resultado de imagem para catastrofização

Catastrofização é uma variável multidimensional que agrega elementos de ruminação, magnificação do pensamento, desesperança e que está associada ao aumento da percepção dolorosa, da intensidade da dor e da incapacidade funcional. Além disso, os pensamentos catastróficos dificultam a adaptação à condição dolorosa refletindo-se nas atividades laborais, domésticas e de lazer.
A relação entre incapacidade física e catastrofização pode ocorrer em função de que pacientes que possuem pensamentos catastróficos apresentam uma orientação em direção aos aspectos mais desagradáveis da experiência dolorosa, tornando desta forma a experiência dolorosa mais desprazerosa, o que pode acarretar menor envolvimento em atividades físicas, aumentando o descondicionamento físico e colaborando para a incapacidade e aumento da dor.
O catastrofismo é fonte de sofrimento e pode expressar uma tendência ou baixo limiar a sobrecarga emocional. Por vezes, pode ser um mecanismo de autoproteção, ligado a memória de dor acarretando em redução das atividades funcionais, visando evitar uma piora do quadro. No entanto, no longo prazo tais comportamentos defensivos tendem a reduzir o tônus muscular, agravando a experiência subjetiva da dor e a manutenção de uma espiral descendente que, muitas vezes, leva a deficiências funcionais permanentes. (KAROLY et al., 2006). Segundo Sullivan (2012), relata que a catastrofização é um conjunto de pensamentos negativos exagerados durante experiências dolorosas reais ou previstos. (SULLIVAN, MJL et al., 2012). Rosenstiel e Keefe (2004) conceituou catastrofização principalmente em termos de impotência e incapacidade para lidar efetivamente com a dor.
Utilização da Educação em Dor em Neurociência Moderna
Muitos grupos tem estudado os efeitos clínicos da educação em dor para vários tipos de condições. Pacientes com dor lombar crônica, fibromialgia, dor cervical, síndrome da fadiga crônica e dor crônica generalizada. Em pacientes com dor lombar crônica a associação da Educação em Dor melhorou as funções e houve diminuição dos sintomas. Resultados relevantes em curto espaço de tempo, associada a exercícios. Melhora da performance funcional. Melhora dos movimentos após lesão em Chicote. Pacientes com fadiga crônica alteraram sua percepção em relação ao catastrofismo. Quando a Educação em Dor é associada ao tratamento fisioterapêutico, os pacientes se tornam mais tolerantes em relação a dor, melhoram a vitalidade, funcionalidade, saúde mental e saúde em geral. Avaliando as evidências, conclui-se que o atendimento presencial associado ao material didático sobe dor, provoca efeitos na percepção da dor e saúde em geral em pacientes com desordens músculo esqueléticas crônicas. As diretrizes da prática clínica diminuem quadros de dor músculo esquelética crônica.
Luiz Fernando Sola - Fisioterapeuta Especialista em Dor Crônica da Coluna Vertebral