segunda-feira, 14 de maio de 2018

DOR CRÔNICA

Nas últimas décadas, o entendimento científico da dor crônica inespecífica aumentou substancialmente. Esclareceu muitos casos de dor crônica com características de alterações no processamento do Sistema Nervoso Central(SNC).
Mais especificamente, a capacidade de resposta em neurônios centrais na entrada dos receptores é aumentada, resultando em patofisiologia correspondente de sensibilização central. Isso engloba um funcionamento prejudicado do funcionamento cerebral das vias descendentes, que são inibitórias. A ativação das vias ascendentes e descendentes, facilita o mecanismo de dor. O resultado é um prejuízo da inibição de uma transmissão nociceptiva.
A Sensibilização Central altera o equilíbrio do processamento sensorial do cérebro. De fato essas alterações de modulação cria uma “assinatura da dor” no cérebro de pacientes com dor crônica. A alteração na neuromatrix da dor compreende: A) Aumento da atividade em áreas do cérebro que estão envolvidas com a sensação de dor aguda. Exemplo: A ínsula, córtex cingulado anterior e córtex pré frontal. B) Atividade cerebral em áreas não envolvidas com sensação de dor aguda, como os núcleos da base, córtex frontal dorsolateral e córtex parietal.
A Sensibilização emocional cognitiva é muito importante e se refere a capacidade do cérebro exercer forte influência em vários núcleos centrais. O nível de vigilância, atenção e estresse influenciam nas vias descendentes que são responsáveis pela inibição da dor.
A dor crônica envolve processos de plasticidade neural. A entrada nociceptiva agrava a Sensibilização Central quando há uma nova lesão.
Uma perspectiva futura é que os clínicos implementem a ciência em sua prática e sigam diretrizes em Educação em Dor de forma permanente.
Como aplicar a neurociência em pacientes céticos a abordagem biopsicossocial? A cultura é seguir tratamentos seguindo modelos biomédicos, que utilizam exames de imagem modernos, abordagem catastrófica, cirurgias e medicamentos.
A explicação do tratamento deve ser clara para se ter sucesso. Comece mudando as percepções em relação a dor, compreender mecanismos fisiológicos, usar técnicas de distração através de estratégias cognitivas. A Educação em Dor aumenta a motivação do paciente para realizar o programa de tratamento.
 Luiz Sola - Especialista em Dor Crônica da Coluna Vertebral
www.institutokrion.com.br


sábado, 12 de maio de 2018

DOR NA COLUNA

A Dor de Coluna é a principal causa de afastamentos do trabalho no Brasil, seguida pela violência doméstica e por doenças cardíacas. Nos últimos 20 anos tivemos um crescimento de 60% nos casos de dor coluna.
A Dor persistente (Crônica) acomete 10% da população mundial gerando incapacidades funcionais e gastos extras com grande impacto sobre as famílias, empresas e sistema de saúde público e privado.
Estima-se que 39% da população adulta sofrerá ao menos um episódio de dor lombar ao longo da vida. Estudos mostram que 90 % das dores de coluna são inespecíficas( SEM DIAGNÓSTICO e não se sabe qual o tecido está gerando a dor) ou seja, NÃO têm causa definida. Sendo assim, é COMUM e NORMAL!!!
O fato de você ser diagnosticado com dor inespecífica, mostra que você NÃO tem uma doença grave e apresenta um ÓTIMO PROGNOSTICO.
Pesquisas científicas comprovam que 90% das dores agudas inespecíficas, tem resolução espontânea até a sexta semana. Por isso, NÃO devemos realizar e se preocupar com exames de imagens( RESSONÂNCIAS) antes de 6 semanas após o surgimento das dores.
Exames de imagem apresentam taxas altíssimas de FALSOS- POSITIVOS. Isto é, encontra- se achados PATOANATOMICOS  que NÃO são responsáveis pelos seus SINTOMAS‼
Estudos recentes, mostraram  o percentual de alterações encontradas em exames de imagem em indivíduos SAUDÁVEIS e ASSINTOMÁTICOS ‼ Em uma amostra com 100 INDIVÍDUOS ASSINTOMÁTICOS na faixa dos 40 ANOS, foi constatada  hérnia discal em 50%, protrusão discal em 33%, degeneração discal em 68%, degeneração facetaria em 18% e espondilolistese em 8% dos indivíduos. Essas alterações aumentam naturalmente com o envelhecimento.
HÉRNIAS DISCAIS( Protusões, Sequestros e Extrusões) NÃO DEVEMOS NOS PREOCUPAR ‼ Apenas um pequeno subgrupo, em torno de 2 a 3 % dos pacientes, apresentam sintomas secundários a compressões discais.
A utilização sem critérios dos exames de imagem para justificar possíveis causas da dor, pode gerar no paciente, um EFEITO NOCEBO (Ruim), levando a CATASTROFIZAÇÃO, CINESIOFOBIA (Medo do movimento) e fortalecendo CRENÇAS e MITOS que levam o paciente a FAZER REPOUSO, se AFASTAR DE ATIVIDADES FISICAS, medo de CARREGAR PESO e FLEXIONAR a coluna, além de achar que sua  COLUNA é FRAGIL! Esses mitos, levam o paciente a grandes INCAPACIDADES FUNCIONAIS e CRONIFICAÇÃO da dor.
Fatores BIOPSICOSOCIAS e COGNITIVOS, como DEPRESSÃO, PREOCUPAÇÕES,  SEDENTARISMO, ESTRESSE, HUMOR DEPRiMIDO e SONO POBRE influenciam mais nas dores de coluna que as alterações “ encontradas” nos exames de imagens.

Não podemos associar a DOR com os  achados dos exames de imagem em 95% das dores de coluna, principalmente nas inespecíficas.


Luiz Sola - Especialista em Dor Crônica da Coluna Vertebral