quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Dor nas costas? Você não está sozinho.

Oito em cada dez pessoas terão dores nas costas em algum momento da vida. A boa notícia é que há solução.
A dor nas costas é considerada por alguns como uma epidemia e acomete homens e mulheres jovens e adultos. E a sua coluna, como está? Será que ela está funcionando bem? Você tem medo de abaixar, carregar o seu filho ou brincar com seu neto? Percebe que está perdendo sua qualidade de vida? Por que não consegue realizar uma simples caminhada ou uma atividade física regular? “O corpo humano foi projetado para estar em movimento e não para ficar parado”, afirma o fisioterapeuta Luiz Fernando Sola, membro da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna Vertebral e que representa o ITC Vertebral de Sorocaba. 
Ele explica que dores nas costas estão afetando cada vez mais jovens e adultos graças ao tempo que é gasto sentado ou debruçado sobre computadores, pelo uso prolongado de smartphones e pela falta de atividade física. “Sabemos que hoje muitos pacientes têm seu quadro piorado quando são alertados que tem algo sério na coluna e que devem ter cuidados a partir deste momento. Estas informações muitas vezes pode ser mal compreendida e o  medo de movimentar e o excesso de cuidado começa a imperar.  Alguns deixam  de exercer  atividades físicas e de lazer que mais gostam e isto interfere na melhora da dor. Porém, pela nossa experiência, sabemos que esse não é o caminho a percorrer para que as dores melhorem”, afirma Luiz Sola. Além do excesso de cuidado e vigilância com sua coluna, fatores como stress, ansiedade e depressão potencializam as dores e devem ser avaliados também para que o tratamento tenha sucesso. Por ser muito mais comum do que se imagina, a dor nas costas passou a incomodar também os pesquisadores, e o hoje o tratamento para dor nas costas envolve conceitos da educação em neurociência para que todos os pacientes sejam tratados com total esclarecimentos  sobre o seu problema e sua relação com a história natural da doença. A frequente falta de correlação dos achados de exame de imagem com a dor, a falta de informações, as inibições de movimentos por medo e a diminuição dos exercícios físicos interferem no processo de reabilitação. Dependendo da avaliação, Sola direciona qual o tratamento ideal utilizando antes o modelo Biopsicossocial, Educação da Dor e Estratégia de Movimentos. Esta recente abordagem modelo de tratamento vem sendo utilizado pelo fisioterapeuta Luiz Sola com um novo olhar e tirando muita gente de cirurgias. O diferencial desta abordagem consiste em uma detalhada avaliação e prescrição de métodos e técnicas que buscam melhorar a mobilidade e a função da coluna vertebral, proporcionando a volta das atividades físicas com menos restrições.  “Sabemos que hoje o repouso não é a melhor solução e que quanto mais ficamos vigiando nossa coluna com medo de sentir dor, o quadro só tende a piorar. O importante não é apenas manter as pessoas vivas na velhice, mas também mantê-las saudáveis”, finaliza o fisioterapeuta.

Luiz Fernando Sola – Fisioterapeuta responsável pelo ITC Vertebral Sorocaba e Membro da  Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna Vertebral

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

FÁCIL PARA MACHUCAR, DIFÍCIL PARA CURAR - UMA VISÃO INAPROPRIADA DA COLUNA VERTEBRAL

O que é a catastrofização e por que ela atrapalha no recuperação do paciente com dor 
Os pensamentos catastróficos são crenças disfuncionais de que diante de uma determinada situação ocorrerá o pior desfecho. Na dor, eles aumentam a hiper vigilância da pessoa ao sofrimento e também provocam mais tensão muscular, fatores que contribuem para a manutenção do incômodo. Porém, os pensamentos catastróficos são esquemas ou jeitos de pensar, e, por isso, podem ser alterados.
Cerca de 8 em cada 10 pessoas têm um ou mais episódios de dor lombar (dor nas costas). Na maioria dos casos, não se trata de uma doença grave ou um problema do passado e a causa exata da dor nas costas não é clara. Isso é chamado de Dor Lombar Inespecífica. Este é o tipo mais comum de dor nas costas. Dor lombar inespecífica significa que a dor não se desenvolve devido a qualquer doença específica ou subjacente que possa ser encontrada. Pensa-se que, em alguns casos, a causa pode ser uma entorse (sobre-estiramento) de um ligamento ou músculo. Pode haver outros problemas menores nas estruturas dos tecidos e a parte inferior das costas, que levam a dor. No entanto, estas causas de dor são impossíveis de serem identificadas em testes a não ser patologias que afetam a coluna e que estão dentro  das exclusões que chamamos de Red Flags. Portanto, é normalmente impossível para um profissional da saúde especialista em coluna dizer exatamente a origem ou causa da dor, mas é comum  profissionais afirmarem através de exame de imagens que a causa são as alterações comuns encontrados no RX, Tomografia Computadorizada ou Ressonância Magnética e que são apontadas como a causa da dor.
Para algumas pessoas, não saber a causa exata da dor é inquietante.
No entanto, em outra perspectiva, muitas pessoas acham reconfortante saber que o diagnóstico é dor nas costas inespecífica, o que significa que não há nenhum problema grave ou doença das costas ou coluna vertebral. Mas temos uma porcentagem alta de pacientes com fatores biopsicossociais adquiridos e representam um papel importante no desenvolvimento da dor lombar e progressão para dor persistente e incapacidade. Fatores-chave incluem crenças de medo-evitação, catastrofização, crenças de auto-eficácia, depressão, sofrimento emocional e expectativas nos resultados. Muitos fatores psicológicos associados com resultados ruins  parecem se sobreporem. Estes fatores podem ser conceituados como contribuintes ou até como resultantes da ameaça percebida associada com a dor lombar. Interpretando um estímulo como uma ameaça cria medo (associado com estratégias de evitação e fuga), hipervigilância, diminuição da tolerância à dor, dificuldade para ignorar a dor, mais catastrofização e uso reduzido de estratégias de enfrentamento cognitivo. Compreendendo as razões por trás destes fatores psicológicos é vital para serem endereçados efetivamente. Aumentar a compreensão sobre as crenças do pacientes sobre a dor lombar provê  uma classificação de fatores que influenciam a ameaça percebida. 
Um estudo qualitativo ajudou a explorar a amplitude de crenças, atitudes e percepções presentes e analisou como elas podem influenciar a ameaça percebida associada com a dor lombar. Os resultados deste estudo publicado na revista científica Spine mostrou que as costas é  vista como sendo vulnerável a lesões devido seu " design" , a maneira como ela é  usada ou se ela já  esteve envolvida em alguma lesão prévia. Consequentemente, pacientes consideraram que eles precisam proteger sua coluna por meio do repouso, sendo cuidadosos, evitando atividades arriscadas, fortalecendo seus músculos e controlando sua postura. Participantes consideraram a dor lombar como sendo especial em sua natureza e impacto, assim como pensam que é  difícil compreender isso sem a experiência pessoal. O prognóstico da dor lombar foi considerado como incerto para estes com dor lombar aguda e ruim para o que desenvolvem dor crônica. Estas crenças combinadas CRIAM UMA MÁ  INTERPRETAÇÃO NEGATIVA DA SUAS COSTAS. O estudo concluiu que deduções ou impressões negativas sobre as costas feitas por estes com dor lombar pode afetar o processo de informação durante um episódio de dor. Isto pode resultar em informações que indicam que a coluna é  vulnerável, que um lesão é  séria ou o resultado será  ruim. Uma parte significativa destas informações são recebidas de profissionais da área da saúde que não supõem o quanto isto influência para o desenvolvimento das crenças. A avaliação com um profissional capacitado em EDUCAR o paciente sobre a neurobiologia e neurofisiologia da dor pode contribuir para o processo de reconceitualização  da dor, substituindo as crenças negativas pelas positivas referentes a sua coluna.
Luiz Fernando Sola – Fisioterapeuta responsável pelo Núcleo de Estudo da Postura e Dor Crônica do  ITC Vertebral e do Instituto Krion