quinta-feira, 17 de novembro de 2016

FÁCIL PARA MACHUCAR, DIFÍCIL PARA CURAR - UMA VISÃO INAPROPRIADA DA COLUNA VERTEBRAL

O que é a catastrofização e por que ela atrapalha no recuperação do paciente com dor 
Os pensamentos catastróficos são crenças disfuncionais de que diante de uma determinada situação ocorrerá o pior desfecho. Na dor, eles aumentam a hiper vigilância da pessoa ao sofrimento e também provocam mais tensão muscular, fatores que contribuem para a manutenção do incômodo. Porém, os pensamentos catastróficos são esquemas ou jeitos de pensar, e, por isso, podem ser alterados.
Cerca de 8 em cada 10 pessoas têm um ou mais episódios de dor lombar (dor nas costas). Na maioria dos casos, não se trata de uma doença grave ou um problema do passado e a causa exata da dor nas costas não é clara. Isso é chamado de Dor Lombar Inespecífica. Este é o tipo mais comum de dor nas costas. Dor lombar inespecífica significa que a dor não se desenvolve devido a qualquer doença específica ou subjacente que possa ser encontrada. Pensa-se que, em alguns casos, a causa pode ser uma entorse (sobre-estiramento) de um ligamento ou músculo. Pode haver outros problemas menores nas estruturas dos tecidos e a parte inferior das costas, que levam a dor. No entanto, estas causas de dor são impossíveis de serem identificadas em testes a não ser patologias que afetam a coluna e que estão dentro  das exclusões que chamamos de Red Flags. Portanto, é normalmente impossível para um profissional da saúde especialista em coluna dizer exatamente a origem ou causa da dor, mas é comum  profissionais afirmarem através de exame de imagens que a causa são as alterações comuns encontrados no RX, Tomografia Computadorizada ou Ressonância Magnética e que são apontadas como a causa da dor.
Para algumas pessoas, não saber a causa exata da dor é inquietante.
No entanto, em outra perspectiva, muitas pessoas acham reconfortante saber que o diagnóstico é dor nas costas inespecífica, o que significa que não há nenhum problema grave ou doença das costas ou coluna vertebral. Mas temos uma porcentagem alta de pacientes com fatores biopsicossociais adquiridos e representam um papel importante no desenvolvimento da dor lombar e progressão para dor persistente e incapacidade. Fatores-chave incluem crenças de medo-evitação, catastrofização, crenças de auto-eficácia, depressão, sofrimento emocional e expectativas nos resultados. Muitos fatores psicológicos associados com resultados ruins  parecem se sobreporem. Estes fatores podem ser conceituados como contribuintes ou até como resultantes da ameaça percebida associada com a dor lombar. Interpretando um estímulo como uma ameaça cria medo (associado com estratégias de evitação e fuga), hipervigilância, diminuição da tolerância à dor, dificuldade para ignorar a dor, mais catastrofização e uso reduzido de estratégias de enfrentamento cognitivo. Compreendendo as razões por trás destes fatores psicológicos é vital para serem endereçados efetivamente. Aumentar a compreensão sobre as crenças do pacientes sobre a dor lombar provê  uma classificação de fatores que influenciam a ameaça percebida. 
Um estudo qualitativo ajudou a explorar a amplitude de crenças, atitudes e percepções presentes e analisou como elas podem influenciar a ameaça percebida associada com a dor lombar. Os resultados deste estudo publicado na revista científica Spine mostrou que as costas é  vista como sendo vulnerável a lesões devido seu " design" , a maneira como ela é  usada ou se ela já  esteve envolvida em alguma lesão prévia. Consequentemente, pacientes consideraram que eles precisam proteger sua coluna por meio do repouso, sendo cuidadosos, evitando atividades arriscadas, fortalecendo seus músculos e controlando sua postura. Participantes consideraram a dor lombar como sendo especial em sua natureza e impacto, assim como pensam que é  difícil compreender isso sem a experiência pessoal. O prognóstico da dor lombar foi considerado como incerto para estes com dor lombar aguda e ruim para o que desenvolvem dor crônica. Estas crenças combinadas CRIAM UMA MÁ  INTERPRETAÇÃO NEGATIVA DA SUAS COSTAS. O estudo concluiu que deduções ou impressões negativas sobre as costas feitas por estes com dor lombar pode afetar o processo de informação durante um episódio de dor. Isto pode resultar em informações que indicam que a coluna é  vulnerável, que um lesão é  séria ou o resultado será  ruim. Uma parte significativa destas informações são recebidas de profissionais da área da saúde que não supõem o quanto isto influência para o desenvolvimento das crenças. A avaliação com um profissional capacitado em EDUCAR o paciente sobre a neurobiologia e neurofisiologia da dor pode contribuir para o processo de reconceitualização  da dor, substituindo as crenças negativas pelas positivas referentes a sua coluna.
Luiz Fernando Sola – Fisioterapeuta responsável pelo Núcleo de Estudo da Postura e Dor Crônica do  ITC Vertebral e do Instituto Krion

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